Sucessão faciológica da Formação Barbalha, Bacia do Araripe, Nordeste do Brasil
DOI:
https://doi.org/10.18190/1980-8208/estudosgeologicos.v25n1p137-164Palavras-chave:
Bacia do Araripe, Formação Barbalha, aptiano, facies, estágio pós- rifte, folhelhos pretosResumo
A Formação Barbalha (Aptiano) representa o registro sedimentar inicial do Estágio Pós-Rifte da Bacia do Araripe, e é constituída predominantemente por facies arenosas com intercalações de pelitos avermelhados e amarelados e níveis delgados de conglomerados e folhelhos pretos betuminosos. Este trabalho apresenta uma caracterização estratigráfica da unidade com base no estudo detalhado de facies e associações de facies. Para isso foram descritos em detalhe 25 afloramentos em toda a Bacia do Araripe, além da interpretação geológica de imagens de satélite da EMBRAPA (TM-Landsat 5) e de fotografias aéreas da CPRM (escalas 1:65.000 e 1:40.000), e da descrição e interpretação de poços do Projeto Santana II. O estudo propiciou a diferenciação de duas sucessões sedimentares principais: a primeira, basal, é representada por uma associação constituída por arenitos friáveis, micáceos, amarelo- alaranjados, grossos a finos, com estratificações cruzadas tabulares e acanaladas, por níveis delgados de conglomerados finos e por intercalações de folhelhos e argilitos; a segunda sucessão, organizada em associação também arenosa, mas com maior contribuição de facies pelíticas (argilitos e folhelhos), constituída por arenitos finos de coloração amarelada a cinza, argilitos e siltitos avermelhados, e folhelhos acinzentados a pretos depositados sob condições de baixa energia; na base da segunda sucessão há a ocorrência de níveis delgados de conglomerados, denotando discordância erosiva. A porção superior da primeira sucessão é marcada pela presença de uma camada lutítico- carbonática denominada de Camadas Batateira, marco estratigráfico de correlação regional. Tal camada compreende folhelhos pretos ricos em matéria orgânica que apresenta conteúdo fóssil palinológico atribuído à biozona P-270 do Andar Alagoas. No topo da segunda sucessão ocorre contato concordante com a Formação Crato, estratigraficamente postada acima, demarcado pela presença de folhelhos esverdeados calcíferos sucedidos por folhelhos e calcários laminados de idade neoaptiana.
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