Zélia Gattai e a anarquia de fazer-se mulher

Walter Pinto de Oliveira Neto

Resumo


As conquistas políticas e sociais obtidas pelas mulheres brasileiras na segunda metade do século XX, possibilitaram a ocupação destas nos espaços que outrora lhes fora negado. No campo artístico, o teor subjetivo e revolucionário marcaria as pautas principais de um ser-mulher que, por sua vez, caracteriza-se, como comenta Simone de Beauvoir, pelo perpétuo devir. O ser-mulher, ou seja, o ser-devir encontrou na escrita a ferramenta propícia para reivindicar a liberdade almejada e ainda hoje não atingida. Por essa razão, na contemporaneidade é possível encontrar numerosos textos de autoria feminina, tanto no campo do factual como ficcional. Num entrelugar entre os dois mundos se encontra o gênero confessional, que tem no Brasil uma das grandes expoentes continentais: Zélia Gattai. Em 1979, aos 63 anos, a autora paulistana, estreia-se na literatura com Anarquistas, graças a Deus. Esta obra de cunho memorialístico apresenta a infância e adolescência da brasileira e filha de italianos, em São Paulo, num bairro proletário. Dessa forma, partindo dos estudos de Carneiro (2002), Braunstein (2008), Figueiredo (2013), Braga (2016), entre outros teóricos da escrita de si, escrita de si feminina e teoria acerca do feminino, esta pesquisa buscará analisar e questionar as especificidades da escrita de si implementadas na obra Anarquistas, graças a Deus, de Zélia Gattai.

Palavras-chave


Zélia Gattai; escrita de si; feminino; subjetividade.

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