Duas visões sobre a melancolia em A lua e as fogueiras, de Cesare Pavese
DOI:
https://doi.org/10.51359/1984-7408.2025.266401Palavras-chave:
Cesare Pavese, Literatura italiana, Exílio, Melancolia, Folclore progressivoResumo
O presente artigo tem por objetivo apresentar duas visões sobre a melancolia na obra pavesiana através do romance A lua e as fogueiras, que tem como personagens principais Enguia, narrador não-nomeado que passa metade da sua vida exilado no exterior, e Nuto, seu melhor amigo de infância que firmou raízes no povoado em que nasceu. Busca-se realizar uma análise contrastiva entre esses dois personagens, que permita debater o lugar do exílio e do enraizamento nas províncias da Itália do pós-guerra no séc. XX, assim como suas visões sobre as “sobrevivências” (conceito de Didi-Huberman) e sua postura melancólica. Para isso serão trazidas à discussão as obras O enraizamento, de Simone Weil (2023), A sobrevivência dos vaga-lumes e Cascas, de Didi-Huberman (2011, 2017), a proposição e defesa de um “folclore progressivo”, a partir de Ernesto De Martino (2008), e as ideias de Jean Starobinski (2016) no seu livro A tinta da melancolia: Uma história cultural da tristeza. Em termos gerais, a pretensão é expandir as possibilidades de leitura do romance pavesiano de forma a problematizar as dicotomias entre aldeia e cidade, primitivo e civilizado.
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