FEMINISMO DE BASE COMUNITÁRIA NO CONJUNTO DE FAVELAS DA MARÉ (RJ): UMA ANÁLISE DE INICIATIVAS QUE DISCUTEM QUESTÕES DE GÊNERO

Patricia Elisa Rivera

Resumo


O presente artigo objetiva refletir sobre as pedagogias feministas de base comunitária produzidas por 4 iniciativas que promovem debates sobre gênero no contexto do conjunto de favelas da Maré. O estudo partiu de uma abordagem qualitativa empreendendo o cruzamento de observações participantes, entrevistas e estudos bibliográficos para investigar os saberes e as práticas produzidos por estas mulheres e avaliar em que medidas tais ações se aproximam das diferentes vertentes feministas, da educação popular e de uma perspectiva decolonial. Neste artigo, serão apresentados alguns dos resultados das entrevistas realizadas com 17 mulheres no ano 2016. Assim, as experiências analisadas focam nas perspectivas de mulheres dos distintos territórios das periferias da América Latina, de mulheres que resistem em contextos de violências e que, em meio a esses contextos, constroem espaços e produzem pedagogias que desconstroem e descolonizam modos de pensar e transformam as formas de agir.


Palavras-chave


Pedagogias decoloniais; feminismo de base comunitária; violência de gênero (VDG); violência contra a mulher (VCM).

Texto completo:

PDF

Referências


ALVAREZ, Sônia; DAGNINO, Eevelina; ESCOBAR, Arturo. Cultura e política nos movimentos sociais latino-americanos: novas leituras. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2000.

ARROYO, Miguel. Outros Sujeitos, Outras Pedagogias. Petropolis, Rio de Janeiro, Editora Vozes, 2012.

BALLESTRIN, Luciana. América Latina e o giro decolonial. Revista Brasileira de Ciências Políticas, V.11, p. 89-117, 2013.

BARDIN, Laurence. Analise de Conteúdo. São Paulo, Edições 70, 2011.

BARTHOLL, Timo. Territórios de resistência e movimentos sociais de base: uma investigação militante em favelas cariocas. 452 f. Tese (Doutorado em Geografia), Universidade Federal Fluminense, Niterói/Rio de Janeiro, 2016.

BISPO, Antônio. Colonização e Quilombos: modos e significados. Universidade de Brasília – UnB, Brasília, 2015.

BRANDÃO. Carlos Rodrigues. O que é Educação Popular. São Paulo: Brasiliense, 2007.

CARLOS, Euzeneia. Movimentos sociais e instituições participativas: Efeitos do engajamento institucional nos padrões de ação coletiva. Revista brasileira de ciências sociais, v. 30, n. 88, p. 83-98, 2015.

CARVALHO, Monique Batista. Uma Maré de Lutas: Memória e Mobilização Popular na Favela Nova Holanda – RJ (dissertação de Mestrado). Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Programa de Pós-Graduação em Memória Social, 2006.

COSTA, Claudia de Lima. Feminismo e Tradução Cultural: Sobre a Colonialidade de Gênero e a Descolonização do Saber. Portuguese Cultural Studies, p. 41-65, 2012.

COSTA, Milena; SERAFIM, Marcia; NASCIMENTO, Aissa. Violência contra a Mulher: Descrição das Denúncias num centro de referência de atendimento à Mulher de Cajazeiras, Paraíba, 2010-2012. Epidemio.ser.saude, Brasília, v. 24, nº 3, p. 551-558, 2015.

CRENSHAW, Kimberlé. “Mapping the Margins: Intersectionality, Identity Politics, and Violence Against Women of Color.” Stanford Law Review 43 (6): 1241–99, 1991.

CURIEL, Ochy. La descolonización desde una propuesta feminista crítica. In: Feminista Siempre: Descolonización y despatriarcalización de y desde los feminismos de Abya Yala. ACSUR-LAS SEGOVIAS, p. 11-22, 2015

DINIZ, E.; BELFORT, M.; RIBEIRO, P. Memória e Identidade dos Moradores de Nova Holanda. Redes De Desenvolvimento da Maré: Rio de Janeiro, 2012.

DUSSELL, Enrique. 2491: O Encobrimento do Outro - A Origem do Mito da Modernidade (Tradução Jaime A. Clasen) - Petrópolis, Rio de Janeiro. Vozes, 1993.

ESPINOSA, Yuderkys. Etnocentrismo y colonialidad en los feminismos latinoamericanos: Complicidades y consolidación de las hegemonías feministas en el espacio transnacional.Feminismo latinoamericano, Revista Venezolana de Estudios de la Mujer, Vol. 14 Nº 33 jul/dic 2009.

FRANCO, Marielle. UPP – A Redução da Favela a três letras: Uma análise da política de segurança pública do estado do Rio de Janeiro (dissertação de mestrado). Universidade Federal Fluminense. Programa de Pós-graduação em Administração, Rio de Janeiro, 2014.

FREIRE, Paulo. Educação e Mudança. 5ª Ed, Paz e Terra, 1982.

______. Pedagogia do oprimido. 17ª Ed, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1987.

HOOKS, bell. ______. On Self Recovery, In HOOKs, Bell:Talking Back: Thinking Feminist, Thinking Black. Boston, MA: South End Press, 1999.

HURTADO, Aida. Relating to Privilege: Seduction and Rejection in the subordination of white women and women of color. Signs, 14, n4, p.833-855, 1989.

ISOKE, Zenzele. Urban Black Women and the Politics of Resistance. New York: Palgrave Macmillan, 2013.

KOROL, Claudia. La educación como práctica de la libertad: Nuevas lecturas posibles. In: ______. Hacia una pedagogía feminista: géneros y educación popular pañuelos en Rebeldía. Buenos Aires: Editorial El Colectivo: América Libre, p.9-22, 2007.

LAGE, Allene. Orientação epistemológica para pesquisa qualitativa em educação e movimentos sociais. Anais do IV Colóquio Internacional de Políticas e Práticas Curriculares: Diferenças nas Políticas de Currículo. João Pessoa: UFPB, 2009.

LUGONES, María. Rumo a um feminismo descolonial. Estudos Feministas, Florianópolis, v. 22, n. 3, p. 935-952, jan. 2014.

MALDONATO-TORRES, Nelson. Sobre La colonialidad Del ser: contribuiciones al desarollo de um concepto. In: CASTRO-GOMEZ, S.; GROSFOGUEL, R (Orgs). El Giro Decolonial. Reflexiones para una diversidad epistêmica más Allá Del capitalismo global. Bogotá: Universidad Javeriana – Instituto Pensar, Universidad Central – IESCO, Siglo Del Hombre Editores, p 127-167, 2007.

______. A topologia do ser e a geopolítica do conhecimento – modernidade, império e colonialidade. In: SANTOS, Boaventura de Sousa; MENESES, Maria Paula. Epistemologias do Sul. São Paulo: Cortez, 2010.

MIGNOLO, Walter. El Pensamiento Decolonial: Deprendimeiento y apertura. Um manifesto. In: CASTRO GOMES, Santiago., Gosfoguel, Ramon (Orgs). El Giro Decolonial: Reflexiones para uma diversidade epistêmica mas aya del capitalismo global. Siglo del Hombre Editores, Instituto Pensar, 2007.

MOTTA-NETO, João Colares da. Educação Popular e Pensamento Decolonial latino-americano em Paulo Freire e Orlando Fals Borda (tese de doutorado). Universidade Federal do Pará, Instituto de Ciências da Educação, Programa de Pós-graduação em Educação, Belém, 2015.

MURACA, Maria Teresa. Praticas pedagógicas populares, feministas e decoloniais do movimento de mulheres camponesas em santa catarina. 2015. 402f. Tese (Doutorado em Ciências Humanas) Programa de Pós-graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2015.

NASCIMENTO, Marcos. Masculinidade, juventude e violência contra mulher: articulando saberes, práticas e políticas. In: BLAY, Eva Alterman. Feminismos e masculinidades: novos caminhos para enfrentar a violência contra mulher. São Paulo: Cultura académica, p.21-225, 2014.

NASCIMENTO, M. & SEGUNDO, M. Hombres. Masculinidades y políticas públicas: aportes para la equidad de género. In: AGUAYO, Francisco; SADLER, Michelle. Masculinidades y políticas públicas: involucrando a los hombres en la equidad de género. Santiago: Universidad de Chile, p.50-62, 2011.

PITANGUY, Jaqueline. Advocacy e Direitos Humanos. In: PITANGUY, Jaqueline & BARSTED, Leila. O Progresso das Mulheres 2003-2010. Rio de Janeiro, Sepia/ONU Mulheres, 2011.

PORTO GONÇALVES, Carlos Walter. Apresentação da Edição em Português. In: LANDER, Edgard (org). A Colonialidade do Saber: eurocentrismo e ciências Sociais – perspectivas latinoamericanas. Coleccíon Sur Sur, CLACSO, 2005.

MOHANTY, Chandra. Transnational Feminist Crossings: On Neoliberalism and Radical Critique.Signs: Journal of Women in Culture and Society: Chicago Press, vol. 38, no. 4, p.967-991, 2013.

______. Feminism without Boarders: Decolonizing Theory, Practicing Solidarity. North Carolina: Duke University Press, 2003.

MOHANTY, Chandra & MARTIN, Biddy. Whats Home Got to do With It. In: Feminism without Boarders: Decolonizing Theory, Practicing Solidarity. North Carolina: Duke University Press, 2003.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder e classificação social. In: SANTOS, Boaventura Sousa; MENESES, Maria Paula. Epistomologias do Sul. São Paulo: Cortez, 2010.

RIVERA, Patricia Elisa. Feminismo de Base Comunitária em Contexto de Periferia Urbana: Iniciativas que discutem questões de gênero na Maré (RJ) (tese de doutorado). Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2017.

SACRAMENTO, Maria P, & NEIVA, Luciano S. Mulheres da periferia: feminismo e transgressão em Guerreira de Alessandro Buzo. IPOTESI, JUIZ DE FORA, v.15, n.2 - Especial, p. 81-92, jul./dez. 2011.

SANDELL, Renee. The Liberating relevance of Feminist Pedagogy.Studies in Art Education, Vol.32, No. 3, p. 178-187, 1991.

SPIVAK, Gayatri Chakravorty. Pode o Subalterno Falar? (tradução de Sandra Regina Goulart de Almeida; Marcos Pereira Feitosa; André Pereira Feitosa). Editora UFMG, 2010.

WALSH, Catherine. Lo Pedagogico y lo Decolonial entretejiendo caminos. In: WALSH, Catherine (Ed). Pedagogias Decoloniales praticas insurgentes de resistir, (re)existir y (re)vivir. Tomo I, Ed Abya Yala, Quito, Equador, 2010.

ZIBECHI, Raúl. Territórios em Resistência: Cartografia política das periferias urbanas latino-americanas. Rio de Janeiro: Consequência, 2015.




DOI: https://doi.org/10.32359/debin2018.v1.n2.p110-142



Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - Não comercial - Sem derivações 4.0 Internacional.