O JARDIM DAS ESQUECID@S: OFICINAS PSICOSSOCIAIS COM MULHERES EM PRIVAÇÃO DE LIBERDADE NO INTERIOR DE MATO GROSSO

Márcio Alessandro Neman Do Nascimento, Kesley Gabriel Bezerra Coutinho, Lorena Lopes de Oliveira

Resumo


 O crescimento carcerário feminino no Brasil, somado a condições precárias da vida institucional, aponta para um panorama totalitário de cerceamento da vida dos corpos e das produções de subjetividades. Isso favorece um retrocesso em relação às leis e políticas públicas que se traduzem em desmedidas violações dos Direitos Humanos contra grupos de mulheres em condição de aprisionamento. Diante disso, o presente artigo discursa sobre práticas equitativas e libertadoras promovidas em uma instituição prisional feminina no interior de Mato Grosso por meio de um projeto de extensão universitária. As atividades, fundamentadas no posicionamento teórico-metodológico esquizoanalista, foram realizadas em formato de “roda de conversa” e sustentadas pela tríade teoria-prática-supervisão. Como resultado, as oficinas psicossociais proporcionaram compartilhamentos de experiências dentro do grupo, fomentaram o fortalecimento do cuidado de si e despertaram pensamentos e reflexões acerca do abandono e do esquecimento familiar e institucional. A partir dessa experiência, percebeu-se que é possível fortalecer, por meio de uma escuta sensível e qualificada, a saúde mental de mulheres aprisionadas.

 


Palavras-chave


Prisão feminina; Oficinas psicossociais; Esquizoanálise.

Texto completo:

PDF

Referências


ALMEIDA, Marcelle, Queiroz; ARAÚJO, Amanda, Siebra; TANNUSS, Rebecka, Wanderley; SILVA JUNIOR, Nelson, Gomes, de Sant'Ana; MEDEIROS, Mairana, Rodrigues. Mulheres encarceradas: visita íntima, gênero e dignidade sexual. 3º Seminário Internacional de Pesquisa em Prisão - Universidade Federal de Pernambuco. p.1-18. Recife-PE. 2017.

BRASIL. Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT), Brasília, 2017, 180 p.

_______. Ministério da Justiça, Departamento Penitenciário Nacional. Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (INFOPEN) Mulheres – 2ª Ed, Brasília, 2018, 79 p.

CARVALHO, Vinicius, Farias, Santos. O papel da psicologia na ressocialização. Minas Gerais: Montes Claros, 2014.

CFP. Conselho Federal de Psicologia. A prática profissional dos (as) psicólogos (as) no Sistema Prisional. Brasília, 2009, 55 p.

______. Relatório 012/2011 regula sobre a atuação da (o) psicóloga (o) no âmbito do sistema prisional. Brasília, 2011, 8 p.

CORRÊA, Edson José. Extensão universitária, política institucional e inclusão social. Revista Brasileira de extensão universitária, v. 1, n. 1, p. 12-15, jul-dez. 2003.

CUNHA, Manuela, P. Malhas que a reclusão tece. Questões de identidade numa prisão feminina. Lisboa: Cadernos do Centro de Estudos Judiciários, 1991, 218p.

DA SILVA, Oberdan, Dias. O que é extensão universitária? 1996. II Simpósio Multidisciplinar "A Integração Universidade-Comunidade". Disponível em: http://www.ecientificocultural.com/ECC3/oberdan9.htm. Acessado em 25 de julho de 2019.

DAVIS, Angela Yvonne. Are Prisons Obsolete? New York: Seven Stories Press, 2003, 65p.

______. Mulheres, raça e classe. São Paulo: Boitempo, 2016, 262p.

DE CASTILHO, Eia, Wiecko V. Execução da pena privativa de liberdade para mulheres: a urgência de regime especial. Justitia, São Paulo, v. 64, p.37-45, jul-dez. 2007.

DE CASTRO, Ana, Chacel; BICALHO, Pedro, Paulo, Gastalho. Juventude, território, Psicologia e política: intervenções e práticas possíveis. Psicologia: Ciência e Profissão. v. 33, p. 112-123. 2013.

DE OLIVEIRA, Magali, Gláucia, Fávaro; SANTOS, André, Filipe, Pereira, Reid. Desigualdade de gênero no sistema prisional: considerações acerca das barreiras à realização de visitas e visitas íntimas às mulheres encarceradas. Caderno espaço feminino, v. 25, n. 1, p. 236-246, jan-jun. 2012.

DE OLIVEIRA, Odete, Maria. Prisão: um paradoxo social. 3º ed. Florianópolis: Editora da Universidade Federal de Santa Catarina, 2003, 273p.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. O anti-Édipo. Lisboa: Assírio e Calvim, 1996, 559p.

DOS SANTOS, Maria, Vieira; ALVES, Valdecyr, Herdy; PEREIRA, Audrey, Vidal; RODRIGUES, Diego, Pereira; MARCHIORI, Giovana, Rosário, Soanno; GUERRA, Juliana, Vidal, Vieira. Saúde mental de mulheres encarceradas em um presídio do estado do Rio de Janeiro. Texto & Contexto-Enfermagem, v. 26, n. 2, p. 1-10, jan-jun. 2017.

FORPROEX. Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Instituições Públicas de Educação Superior Brasileiras. I Encontro de pró-reitores de extensão das universidades públicas brasileiras, Brasília, 1987, 8 p.

FOUCAULT, Michel. Prisões e revoltas nas prisões. In: DA MOTTA, Manuel, Barros. (Org.) Ditos e escritos IV: estratégia, poder-saber. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2003. p. 61-68.

______. Vigiar e punir: história da violência nas prisões. 42. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2013, 160p.

GOFFMAN, Erving. Manicômios, prisões e conventos. 8. ed. São Paulo: Perspectiva, 2008, 315p.

GRECO, Rogerio. Direitos humanos, sistema prisional e alternativas à privação de liberdade. São Paulo: Saraiva, 2010, 488p.

MAZZILLI, Sueli. Ensino, pesquisa e extensão: reconfiguração da universidade brasileira em tempos de redemocratização do Estado. Revista Brasileira de Política e Administração da Educação-Periódico científico editado pela ANPAE, v. 27, n. 2, p.205-221, mai-ago. 2011.

MINISTÉRIO PÚBLICO. Conselho Nacional do Ministério Público. Vol. III. A visão do Ministério Público sobre o sistema prisional brasileiro–2016, Brasília, 2016, 232 p.

ONU. Organização das Nações Unidas. Informe del Relator Especial sobre la tortura y otros tratos o penas crueles, inhumanos o degradantes sobre su misión al Brasil. 2016, 23 p.

QUIROGA, Ana, Maria; VITAL, Christina; CONRADO, Flávio; CUNHA, Marilena. Religiões e prisões. Rio de Janeiro: Comunicações do ISER, 2005, 123p.

ROLNIK, Suely. Cartografia sentimental: transformações contemporâneas do desejo. Porto Alegre: Sulina, 2007, 248p.

SANTOS, Boaventura, Souza. A gramática do tempo: para uma nova cultura política. Porto: Edições Afrontamento, 2006, 512p.




DOI: https://doi.org/10.32359/debin2019.v2.n7.p70-87



Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - Não comercial - Sem derivações 4.0 Internacional.