POLÍTICAS GLOBAIS E INFLUÊNCIAS NA AGENDA PARA A FORMAÇÃO SUPERIOR EM SAÚDE NO BRASIL

Andréa Echeverria Arraes de Alencar

Resumo


As crescentesalterações políticas, sociais e econômicas das sociedades contemporâneas têm trazido aos sistemas educativos novos desafios, nomeadamente quanto aos modelos, e qualidade, deformação profissional.  Focado na problemática da formação superior o presente artigo tem como objetivo compreender influências de políticas globais em currículos locais para formação de profissionais que atuam no campo da saúde no Brasil.Convocam-se contributos de autores que discutem o campo global das políticas educacionais (Rawolle & Lingard, 2013), da abordagem do ciclo de políticas (policy cycle approach) (Ball & Bowe, 2001) e de contribuições de Roger Dale (2004) Education policy e Thomas Popkewitz (2016) conhecimento como prática política.Do ponto de vista metodológico analisam-se relatórios provindos do BM, UNESCO e OCDE publicados entre os anos de 2000 e 2018 e orientações, neles enunciadas, relativas à formação de profissionais de saúde.A análise permitiu constatar que os relatórios contemplam orientações para a formação alinhadas com políticas neoliberais e sintonizadas com o mercado de trabalho. Preconiza-se um perfil de formação voltado para a atenção integral das pessoas, famílias, grupos sociais e comunidades, com aproximação entre serviços de saúde, o contexto local e as instâncias formadoras de profissionais de nível superior. Os resultados apontam ainda para a existência de influências internacionais na agenda da política de Educação Superior no Brasil e nas políticas de Educação em Saúde, em particular. 


Palavras-chave


políticas educacionais; influências internacionais; agenda para formação de profissionais de saúde; perfil de formação; ensino superior; Brasil.

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DOI: https://doi.org/10.32359/debin2019.v2.n8.p10-38



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