Surrealidade? Uma análise do conto “Encontro no quarto escuro” de João Gilberto Noll

Fernando Alexandre de Oliveira Maia

Resumo


João Gilberto Noll é um autor brasileiro, cuja obra está inserida no que se convencionou chamar de ficção brasileira contemporânea. Sua estreia como escritor se deu em 1980 com O Cego e a dançarina, livro de contos do qual faz parte “Encontro no quarto escuro”, objeto deste trabalho. Dentro da problemática que o termo “contemporâneo” suscita, propomos inicialmente algumas questões sobre o significado desse termo na literatura, particularmente no contexto da ficção brasileira. Prosseguimos, com o objetivo de identificar influências do Surrealismo francês no conto em análise. Reconhecemos que Noll cria uma surrealidade narrativa, ao retomar e renovar a linguagem da vanguarda surrealista, que teve Breton como um de seus principais representantes. Ao romper com a dimensão do real, ele também caminha pelo rizoma deleuze-guattariano, pois seu texto é um tecido costurado com linhas múltiplas, transformadoras, não numeráveis e desordenadas. Tão insólita e vertiginosa, a narrativa, mesmo curta, é composta de cenas que parecem ocorrer   simultaneamente em espaços diferentes, por exemplo. Pretendemos escrever um ensaio crítico inserido nesse debate, mostrando nosso posicionamento e lançado reflexões sobre os pontos acima elencados. Nossas interpretações e avaliações encontram suporte em teóricos como Schøllhammer (2009), Deleuze e Guatarri (1995; 1997), e no Manifesto do Surrealismo de André Breton (1924). Abandonando o método exclusivamente racional e a intenção de achar respostas claras na escrita desterritorializada de Noll, apelamos mais ao sensível que à razão para tentar (des)construir sentido(s) nesse conto, cientes da possibilidade de permanecermos desconfortáveis nesse processo.


Palavras-chave


Surrealismo; Rizoma; Conto

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