Quando o silêncio fala: a linguagem em Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo
Palavras-chave:
Literatura, Estética, TextoResumo
Este ensaio tem como objetivo analisar o uso da linguagem no romance Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo, considerada uma obra importante na composição da literatura afro-brasileira. Por meio da narrativa, o leitor tem acesso às lembranças da protagonista, que representam mais do que seu retorno ao passado ou “momentos de loucura”; concebem, na verdade, a relevância da cultura africana e afrodescendente e suas marcas na constituição da diversidade brasileira. O silêncio enquanto linguagem foi demonstrado a partir de autores como Marilena Chauí (2000), Eni Orlandi (2007) e Regina Dalcastagné (2012). Percebeu-se que os silêncios dos personagens, por meio de uma narrativa em terceira pessoa, ao invés de provocarem um distanciamento entre o leitor e a obra, geram aproximação. Isso porque possibilitam ao interlocutor perceber o que se encontra além do enredo e dos personagens, refletindo a condição humana no interior do país e nas favelas das grandes cidades brasileiras, sobretudo a condição imposta às mulheres negras. O silêncio utilizado como um atributo estético da linguagem literária permitiu o reconhecimento de que as classes marginalizadas são constantemente silenciadas, e que o discurso vigente é imbuído de poder, conforme conceito trabalhado por Michel Foucault (1996), das classes dominantes.
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