v. 27 (2018): Edição Especial - Estado Novo, 1937-2017: Revisão do Pensamento Político Autoritário Brasileiro

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O golpe de Estado do dia 10 de novembro de 1937 deu início a um dos períodos mais dinâmicos, complexos e ambíguos da história do Brasil. Durante os oito anos da ditadura do Estado Novo implementou-se um modelo de Estado autoritário, centralizado e intervencionista. As esferas econômica e social passaram por profundas transformações com o avanço da industrialização e da urbanização, a modernização do aparelho do Estado e a implementação de políticas sociais como a regulamentação das relações de trabalho. A esfera cultural não foi menos afetada: os intelectuais foram acolhidos no interior do aparelho do Estado numa dimensão sem precedentes, e encarregados de elaborar as políticas culturais do regime. No que se refere estritamente à produção intelectual, pensadores integralistas, protofascistas e nacionalistas elaboraram desde os anos 1910 algumas obras históricas e políticas que constituem os fundamentos do pensamento político autoritário brasileiro. Essas obras, que independiam do Estado Novo e o precediam, encontraram uma grande aceitação na década de 1930 e particularmente no pós-1937. Se importantes trabalhos foram consagrados ao estudo desses autores desde meados da década de 1960 – a começar por aqueles, pioneiros, de Wanderley Guilherme dos Santos e Bolívar Lamounier –, o 80º aniversário do golpe de Estado de 1937 é um momento propício para revisar e reavaliar o pensamento político autoritário brasileiro à luz do século XXI. O objetivo desse número temático é, portanto, reunir os novos estudos sobre o pensamento político autoritário brasileiro – privilegiando aqueles das décadas de 1930 e 1940 – em seus vários aspectos: obras, conceitos, constituição e recepção de ideias em determinados contextos, relação entre trajetórias intelectuais e constituição de ideias, etc.
Publicado: 2018-05-13

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