Florística e estrutura do estrato arbóreo em cinco savanas no estado do Pará, Brasil

Joxleide Mendes Costa coutinho, Salustiano Vilar Costa Neto, Mário Augusto Gonçalves Jardim

Resumo


As savanas amazônicas formam ecossistemas ambientalmente degradados e subestimados, sobretudo no que se refere à dinâmica da vegetação e aos processos ecológicos ocorrentes. Com o objetivo de determinar a composição florística e a estrutura de comunidades vegetais em fragmentos de Cerrado disjunto, este trabalho foi desenvolvido em cinco áreas oreádicas costeiras, localizadas no Nordeste Paraense e Ilha do Marajó, PA. Os dados foram coletados seguindo o protocolo de Avaliação Fitossociológica Mínima em paisagens com maior nível de conservação, incluindo exemplares lenhosos vivos, com diâmetro do caule ao nível do solo (DCNS3cm) ≥ 3 cm e adotando-se a distribuição em classes de altura estratificadas em CI (≤ 4,19 m), CII (4,2-7,56 m) e CIII (≥ 7,57 m) e; em classes de diâmetro em CI (3-7 cm), CII (7,1-12 cm), CIII (12,1-17 cm), CIV (17,1-22 cm) e CV (≥ 22,1 cm). Em cinco ha de savanas foram registrados 3.984 indivíduos, distribuídos em 33 famílias, 54 gêneros e 69 espécies. Fabaceae (8), Myrtaceae (6) e Malpighiaceae (5) destacaram-se com maior riqueza e Malpighiaceae em abundância. Byrsonima crassifolia (1.413), Curatella americana (660) e Myrcia cuprea (544) obtiverm maior número de indivíduos e valor de importância em todas as áreas, acompanhadas por Himatanthus articulatus e Hancornia speciosa. A classe CI de altura e de diâmetro agrupou o maior número de indivíduos e a maior diversidade e grau de similaridade florística entre as classes CI e CII. A hiperdominância de indivíduos das espécies de maior participação na estrutura vertical, típicas das savanas amazônicas, indica uma adequação a ambientes com condições distróficas, em solos arenosos ácidos e com baixo conteúdo de nutrientes e; assegura afirmar que estas áreas de savanas são jovens, ainda em fase de desenvolvimento.


Palavras-chave


Fitossociologia, classes estruturais, espécies típicas.

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DOI: https://doi.org/10.26848/rbgf.v1.1.p%25p

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Revista Brasileira de Geografia Física - ISSN: 1984-2295

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